Lidar com o stress

O que mais afecta a minha vida é a família

Posted on: Abril 23, 2009

 

Tenho a felicidade de ter ainda vivas a maior parte das pessoas que acompanharam a minha infância. Tenho a infelicidade de ver que algumas dela estão a passar por depressões.

Conheci essas pessoas vibrando de vida, tentando, esforçando-se, comunicando, socializando. Agora vejo-as fechadas em casa sem motivos para viver e sem saber que assim estão á espera de morrer.

Pensei muito para tentar perceber como pessoas tão activas se deixam chegar a esta situação.

Cheguei á conclusão que foi esforço a mais e mal distribuído:

* Não conviver com os pais para não se chatear com a mulher/marido,

* Não conviver com amigos para não chatear os pais,

* Conviver superficialmente com as pessoas,

* Tentar um maior convívio com pessoas que não se esforçam para o manter,

* Tentar ajudar os outros deixando-se prejudicar,

* Não fazer o que gosta. Seja  correr, cantar, tricô, cavar a terra, pintar, escrever, ler, ouvir música, aprender uma língua nova, aprender a nadar, aprender a ler ou outra coisa qualquer desde que respeite os direitos dos outros.

Pode correr os últimos 50 metros antes de chegar a casa, cantar no duche, fazer cachecóis, ter 2 cântaros na varanda para poder mexer na terra, ter um caderno que pode servir de diário ou como base para o seu livro, ter rádio em casa, perguntar (a quem sabe que fala a língua que quer aprender) como se diz bom dia, boa noite, por favor, obrigada, sim, não e passar a dizer-lhe essas coisas sempre nessa língua, ir a uma piscina onde saiba que pode ficar de pé e agachar-se na água para começar a sentir-se á vontade com ela, pedir que lhe ensinem as letras e a escrever o seu nome (se possível voltar á escola).

 Não é preciso ser perfeito no que faz basta fazê-lo e gostar, o tempo e a prática vão aperfeiçoá-lo.  O importante é começar.

* Usar desculpas para não  fazer o que gosta (é difícil, não tenho tempo, dinheiro, jeito, terra, professor),

* Não reservar pelo menos meia hora por dia para si de forma a poder fazer algumas das coisas que gosta. Seja de manhã antes de ir trabalhar ou á noite.

* Não pensar que dentro de 30, 40 anos vai custar-lhes fazer coisas que hoje são fáceis como descer rampas, subir escadas, andar, sentar-se, levantar os braços,

* Não fazer exercício 2 a 3x por semana (todas as semanas) para garantir que não lhes custa tanto fazer as coisas em cima descritas. Nem é preciso ir ao ginásio, basta incluir alguns hábitos no dia-a-dia. (Eu não posso indicar exercícios físicos porque não sou médica nem terapeuta mas se procurar na net vai encontrar),

* Não manter contacto com as pessoas com as quais passaram a infância enquanto podem porque com o avançar da idade há pessoas que desaparecem e não voltam mais. Temos de aproveitar a sua companhia enquanto podemos.

* Não viver só para o cônjuge e filhos. São parte muito importante da nossa vida mas há mais.

Não é preciso excluí-los, pelo contrário, integrá-los. Levá-los ao futebol, ir com eles ás peças da escola, dar passeios a pé com eles, ajudá-los cuidar da casa, ir tomar café com eles, elogiar a refeição e ajudar a lavar ou enxugar e guardar a louça, perguntar o que andam a fazer e perguntar se pode acompanhar/ajudar, dizer o que anda a fazer e perguntar se querem acompanhar/ajudar.

* Não pensar que dentro de 20 ou 30 anos os filhos estarão grandes, a viver as respectivas  vidas e não irão mais preencher as suas vidas. Apesar de sempre fazerem parte das vidas dos filhos e estes das suas, os filhos nunca mais irão preencher-lhes a vida.

 

Estas pessoas que hoje estão deprimidas e que custa ver-me assim, tinham a minha idade quando eu era criança e via-os animados e felizes.

Agora sou eu quem tem de fazer o que indiquei para não ficar como eles quando tiver 65 anos. E espero voltar a vê-los felizes.

 

Depois de ouvir esta música, Sunscreen (legendada em português), alterei a minha maneira de viver.

 

Estou começando por conviver mais com os meus primos e amigos de infância, fazendo exercício diariamente, passando mais tempo com os familiares que indiquei e fazendo uma coisa que gosto todos os dias.

Pinto com lápis de cera em folhas de papel branco , corro pela casa de um quarto para outro, tenho 2 cântaros na varanda (um com erva cidreira e hortelã e o outro com orégãos e salsa) e canto no duche e fora (tenho rádio em casa e dou-lhe uso).

Quem tem sugestões de mais coisas que se possa fazer para enriquecer a vida, por favor, escreva-as nos comentários.

 

2 Respostas to "O que mais afecta a minha vida é a família"

Concordo com o disseste…
Acho que grande parte desse sentimento de depressão que surge mais tarde na vida prende-se também com o facto das pessoas perderem a sua própia individualidade. Com isto quero dizer que, existem pessoas que não fazem tudo o que enumeraste ( e mais o que lhes dê vontade de fazer ) porque põem à frente dos seus reais desejos, as vontades e quereres dos outros ( quer sejam pais, conjuges, filhos ). Ja pensei um pouco neste assunto ( curiosamente tu também ) e acho que também por vezes é mais fácil viveres ignorando as tuas necessidades e dedicando-te aos outros… dá-te um certo sentimento de utilidade, de propósito na vida ( pelo menos enquanto essas pessoas que puseste à frente de ti estiverem presentes ). É complicado e é necessário termos uma certa força para nos analisarmos e nos compreendermos, é preciso termos e dedicarmos tempo para nos conhecermos.
Não é assim tao simples sabermos o que realmente queremos quando nos sobrecarregamos de obrigações e às vezes o amor ( em qualquer forma de manifestação, amical, conjugal, fraternal ) tolda-nos a visão e faz-nos pensar que o que realmente queremos é o que os outros querem…
Espero vivamente que as pessoas que leiam o teu post e o meu comentário arranjem tempo nas suas vidas para simplesmente parar um pouco e perguntar a si própias o que realmente desejam, o que gostam de fazer… por mais ridículo que parece aos outros ( felizmente somos todos diferentes ), mas aí é que entra a parte da individualidade. Cada vez mais percebo a importancia de sermos nós própios. Com isto não digo que devemos ignorar os outros, mas sim que devemos sempre encontrar um justo equilíbrio ( que a meu ver é o mais complicado na vida )

Plein de bisou ma chérie!

Olá, Nelson

Obrigada pela visita e pelo teu comentário.
Fico feliz por saber que também pensas nisto e também te esforças para manteres-te como indivíduo sem pores os outros de lado.
Muitas vezes, ter consciência das coisas é tudo o que precisamos para nos tratarmos melhor.

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